Pois é… No dia 5 de junho, é o meu dia da atualização anual. Diria que recebi patches consideráveis nesse ano em que se passou, e eu atribuo a três pessoas. Meu esposo, Carlos. E o Mayron, que me fez a generosidade de me apresentar à terceira pessoa: o meu terapeuta, Wilson.
O ano de 2024 não foi moleza, principalmente a partir de junho, onde eu estive muito mais melancólica do que o normal, muito mais apática às coisas ao meu redor. Algo dentro de mim vibrava por uma mudança, que eu não sabia onde ou como buscar. A mudança veio, mas através da terapia.
Fazendo um preâmbulo, que espero ser breve, a minha carreira mudou totalmente quando ocorreu, no meio das plataformas digitais, o trágico fim da Fizzo no Brasil. Era mais fácil sonhar com uma carreira quando eu podia dividir minha atenção entre uma obra em atualização diária e obras paralelas…
Quando perdemos a Fizzo, eu estava me organizando para isso. Pior, não perdemos apenas a Fizzo, mas as atualizações diárias foram sendo removidas das outras plataformas seguidamente, ou as políticas para assinar um contrato exclusivo assumiram uma rigidez impossível de trespassar para pessoas como eu, que tem visualizações singelas, claro, me referindo aos leitores fiéis que eu já conheço.
O início da aventura nos romances hot, ou morro e máfia, e CEO e essas coisas, foi com muita descrença. Eu não sabia que podia gostar tanto de escrever alguma coisa, até que me vi gostando. Nunca parei. Ainda arrisco vez ou outra e a marca desse aniversário é, infelizmente, uma nova decepção com as plataformas.
Dessa vez, não somente pelo luto de perder uma plataforma com a qual eu trabalharia e a partir da qual eu tiraria meu sustento… Dessa vez, é literalmente uma decepção, uma facada nas costas, uma baita tristeza.
Eu decidi arriscar um contrato exclusivo com a Lera, no início desse ano. A obra foi planejada e escrevi metade dela no final de 2024. Houve percalços no caminho, mas o contrato exclusivo chegou. O foco era simples: eu tenho um número pequeno de leitores fiéis e eles me ajudariam a alcançar o dinheirinho da atualização diária. São amigos, pessoas próximas que realmente investem em mim quando podem.
A conversa na Lera é simples. Uma obra sob contrato exclusivo pode receber $ 100 de atualização diária, ao cumprir com os seguintes requisitos:
- No máximo três dias de folga no mês, que eu nunca tiro e, quando tiro, jamais são dias consecutivos… uma política da antiga atualização diária da Dreame que eu absorvi para mim;
- O mínimo de mil palavras postadas em dias de trabalho, e eu sempre ultrapasso isso;
- Um total de cinquenta mil palavras postadas por mês;
- E a “renda de leitura” deve ser igual ou superior a $ 10
Nada tão complexo, considerando os royalties de 50% da Lera.
Todavia, na hora de cobrar o meu bônus, o problema chegou. Internamente, a plataforma destaca a renda de leitura da renda de gorjetas. Como o autor descobre isso? Na prática, quando eles falam… Não há um mecanismo para descobrir se você bateu a meta porque, mesmo que você veja sua “renda do livro” entrando, eles vão arrumar uma distinção interna que você nunca saberá como ou porque é dessa forma.
Isso me deixou muito triste. Mas eu pensei: eu falo com os leitores, e eles deixam de dar gorjetas para tal… e, numa brincadeira agradecendo por centavos de dólares nesse momento de crise, eu descobri que a Lera não paga 50% dos royalties das vendas de capítulos.
Meu amigo pagou os cento e poucos reais e eu só recebi alguns centavos disso. Ele gastou tudo em compras de capítulos apenas… Eu pedi prints, numa conversa posterior, e ele me mandou. O que faz com que, num contrato exclusivo, a Lera não pague nem os 8% suados da Dreame (pelas minhas contas, é algo em torno de 7,5% ou menos). Apesar de a Lera prever 50% de royalties contratualmente, enquanto a Dreame, ao menos, joga na honestidade.
Note que eu não tive oportunidade de realizar essa conta em outro app. Porque apenas a compra desse amigo, após a ocorrência com a negativa do bônus diário, me propiciou a descobrir esse fato.
Isso faz com que, se eles me pagassem meus royalties devidamente, eu tenha tido maior potencial para ter cumprido com o requisito fantasma de renda de leitura.
Isso foi um puta baque para mim.
Hoje, cinco de junho é o meu aniversário… e eu esperava que esse fosse o primeiro de alguns onde eu seria menos dependente de muita gente… Mas isso não se concretizou. Eu escrevi mais de 180 mil palavras em dois meses por isso. Eu abdiquei do sono, do lazer… E não deu em nada.
É muito comum ouvir por aí que a minha geração é preguiçosa, que ela não faz nada… Eu entendo a dificuldade de olhar a profissão escritor com descrença. Entendo que os mais velhos não vão olhar para uma pessoa que se diz escritora e credibilizá-la. Afinal, um artista é um mero sonhador e arte não enche barriga, segundo o ponto de vista de muitos deles.
Eu não vou mentir. Desanimei, sim. Mas, como tudo na minha vida, eu sou oito ou oitenta. Se eu coloquei algo na minha cabeça, eu não vou tirar tão facilmente. A vida tem que me dobrar muito para mudar a minha cabeça. E falo de me dobrar de uma forma irreversível, tem que me mostrar que eu estou lidando com um monstro invencível, senão… eu não vou desistir. Essa é a minha natureza.
Mas isso não muda o fato de que, nesse aniversário, eu estou muito triste.
Eu vou resolver a situação com a Lera em algum momento. O contrato é regido pelas leis de Hong Kong, e eu estudei o direito e jurisprudência locais para conseguir me mover e lidar com isso. Vou começar a juntar dinheiro para custear alguns gastos do Tribunal de Pequenas Causas. Busquei instrução na Embaixada, e eles me moveram à polícia, de quem eu também buscarei instrução.
Se ecoasse o meu caso, isso pode ter potencial de ganhar uma visibilidade enorme. Porque se eu notei incongruência no meu pagamento de royalties, isso deve ser generalizado e o número de escritores lesados deve ser gigante. Pior, a quantidade de gente que fez das tripas, coração, para receber apenas 7,52% de royalties e ainda comemorou, não tá no gibi.
Por ora, eu só vou receber os meus $100. A obra já terminou e, por incrível que pareça, foi um ótimo processo de escrita. Eu esperaria desanimar, como já me ocorreu por duas vezes, mas não. Eu consegui fazer um ótimo trabalho, eu consegui manter o foco, mesmo que a derrota pesasse tanto que me fizesse mal a cada segundo.
Eu não chorei por isso. Ainda não.
As lágrimas simplesmente não caíram.
Hoje é o dia do meu aniversário. E eu não chorei por isso. Mas deveria.
Enfim, eu estou há dois meses sem terapia. A confusão contratual, que virou confusão para receber, me afastou da possibilidade de me consultar. E eu não posso contar com o SUS porque ele só sabe me frustrar. Vou resumir a minha relação com o SUS com duas anedotas:
- Aos vinte e seis anos, eu decidi cuidar da minha saúde de novo… busquei um ginecologista e descobri que, não tendo filhos ou estando grávida, eu não era uma prioridade… logo eu só podia ver a enfermeira. Nada contra as enfermeiras, mas eu sofro de dores lancinantes e só queria uma resposta. Eu me senti totalmente abandonada.
- Aos vinte e sete anos, eu decidi, pela primeira vez, cuidar da minha saúde mental… busquei um psicológo e descobri que, não tendo pensamentos suicidas, eu não era uma prioridade… logo eu ganhei uma conversinha fiada com uma enfermeira muito bem-intencionada. Essa moça foi um anjo, com certeza, mas isso não diminui a não-tão-nova sensação de abandono que eu tive naquele momento.
Eu desisti. Se o meu dinheiro der, bom… Se não der, que eu não morra com dor. É tudo que eu espero.
Enfim, eu nunca imaginei que a terapia me faria tanta falta. Eu tenho produzido compulsivamente e isso é até bom, mas não muda o fato que eu não estou bem… de que eu estou piorando a cada dia. Eu devia buscar uma ajuda mais especializada, devia saber realmente o que acontece comigo: problemas com a dieta talvez, a ocasional privação de sono… eu não sei. Eu tenho muita facilidade de atingir esse estado de uma melancolia que me engole e me consome.
Eu não tenho tendências suicidas porque o tempo me preencheu com lucidez. E, mesmo que sejam opacas, eu amo as cores da vida. Mas eu não gostaria de me sentir tão distante delas, não gostaria de me sentir tão… apática a elas.
Para não dizer que 2024 foi um absoluto fiasco, foi o ano em que eu passei numa admissão que me promete uma obra física de minha autoria. Fiquei feliz, muito feliz. Ainda estou. Existem cláusulas do contrato que, se necessário, eu vou precisar cumprir na força do ódio… talvez andando entre estados… Mas, vai dar bom.
Eu estou disposta a andar de uma ponta a outra do Brasil pelo que eu acredito, pelo que eu quero para mim.
Enfim, desabafos à parte, o fiasco de 2024 se encerra com o início de 2025 com o pé direito. Eu tive admissões em alguns concursos dos quais participei. Eu sei que isso não vai bastar para me alimentar… Ainda há concursos pendentes de resultados: aqueles de obras mais longas. Alguns já tem um resultado que me parece previsível. Outros, ainda não.
De qualquer forma, eu consegui iniciar este ano com o que me prometi no fim de 2024: comprometimento. E estou mais comprometida do que nunca. O simples fato de estar aqui nessa manhã escrevendo para o blog, é símbolo disso e eu não vou ser cruel comigo mesma. Eu não mereço mais a minha crueldade.
Eu gosto de pensar que a vitória nos concursos é, sim, um pouco de reconhecimento devido. Mas eu sei que não é assim que funciona. A vida é muito mais técnica, mais matemática, do que as pessoas tentam nos fazer entender. Mesmo que as decisões possam ser influenciadas por emoções, a vida é exata. Infelizmente.
A relação com as plataformas digitais ainda não se encerrou. Não é a experiência negativa com uma que me fará apenas entender todas como grandes vilãs. Claro, a experimentação com os royalties vai acontecer… e eu vou postar sobre isso quando fizer, mas… por ora, não vou apenas descredibilizar todas. Não seria justo.
Eu tenho ideias ousadas para esse novo ano da minha vida que se inicia. E eu espero conseguir colocá-las no papel logo… Espero levar algumas ideias para a Amazon… Tenho novas ideias pra levar a Dreame… Que seja um 2.9 formidável. Que a força que me sustenta de pé hoje, persista e cresça. Muito mais!
Obrigada a quem acompanha, seja antigo ou que tenha acabado de chegar. Obrigada.

