Eu sempre gostei muito de lê-las, mas poucas vezes arrisquei na vida.
A minha primeira tentativa não foi bem uma tentativa de poetar, mas só peguei um trecho de um livro e quebrei em estrofes. Milagrosamente, ele passou num processo seletivo e eu criarei um post para falar do poema em questão.
Já tinha lidado com outros poemas, motivados em maioria pela emoção. Não fui eu, com estes poemas, que decidi escrevê-los, mas eles que se impuseram para mim. Tipo, poeminha de adolescente apaixonado, ou confissões e desabafos em versos livres.
Note que eu sou uma pessoa muito melancólica, esse é o meu estado normal. E quando muitos poetas brincam que essas emoções “negras” são combustível para poesia, eu acho que tem um ponto de verdade.
Claro, a poesia é, em suma, emoção em versos. Deve ter uma explicação técnica, que eu já devo ter lido e a memória de peixe esqueceu, mas eu gosto de definir poesia dessa forma. Eu acho que a poesia precisa, acima de comunicar algo, tocar quem lê com alguma coisa, fazer o leitor sentir alguma coisa, boa ou ruim.
Então, o meu primeiro passo para escrever poesia de uma forma menos amadora, estudando, conhecendo formas, experimentando rimas e métricas, deve ter sido com versos livres. E a primeira motivação foi a Biblioteca da Meia-Noite, mais especificamente os poetas maravilhosos que conheci por lá.
Eu sou uma pessoa viciada em sentir, por mais absurdo que isso possa soar. E eu lidei com muitas emoções, das mais diversas, enquanto lendo ou ouvindo os versos de alguns poetas de lá. O meu processo de escrita é extremamente sensorial, eu preciso sentir o que eu estou escrevendo (por isso, mencionei o vício em sentir).
Vendo o tanto de coisas que eles despertavam em mim e com tão pouco, eu pensei: uau, que baita poder de síntese!
O meu início na prosa, de forma mais comprometida com o texto, foi atribulado como qualquer um e eu levava muito tempo para conseguir comunicar algo. Ou seja, os meus capítulos precisavam ser muito grandes para eu conseguir chegar de ponto X a ponto Y, os meus contos eram muito grandes, etc.
Vendo a síntese dos poetas, eu comecei a estudar mais da poesia justamente para tentar aprender a transmitir uma mesma mensagem de formas diferentes. Eu já estava flertando com a ideia de participar de concursos literários e eles são rígidos com a extensão do texto, com o respeito aos temas, e etc (não sei se deu para ver o quanto eu viajo na minha própria cabecinha enquanto escrevo xD).
Eu encontrei na poesia, um verdadeiro tutor. Eu já tinha certa facilidade para atingir a emoção das pessoas com a literatura, mas eu era muito prolixa e isso pode ser um obstáculo, pode interferir na fluidez de uma leitura, tornando uma passagem menos potente, diminuindo suas chances de atingir a finalidade inicial. Com a poesia, eu descobri alguns dos meus vícios de linguagem; alguns eu ainda cuido com carinho… outros, eu tento apagar de mim.
Geralmente, quando aconselhamos uma pessoa que quer escrever, os primeiros conselhos tendem a ser: leia muito, escreva, e se aventure nos contos. Eu não acho inválido, mas acredito que todo escritor, a independer de se considerar amador ou profissional, deve experimentar a poesia.
O início foi chato para mim. Porque eu jamais imaginaria que o universo dos poemas podia contar com tantas tecnicidades. Misericórdia! É um monte de palavras enormes ou complicadas para falar de coisas simples.
Existem muitas regras gramaticais ou ortográficas que eu sei como aplicar, mas já não lembro como se chamam. Então, se me perguntarem, é provável que eu diga não saber. Justamente porque eu tenho muita dificuldade em gravar termos técnicos. E isso, com a poesia, é desafiado em seu extremo.
Eu não devo conhecer, no momento, metade das formas poéticas que existem. Eu já li muita coisa, muita explicação, e não me lembro de metade. O desafio de contar as sílabas poéticas me mata!
Mas se ver desafiado a transmitir um sentimento, pensamento ou emoção, adequando num corpo previamente definido faz com que, quando conseguimos, a sensação de vitória seja muito mais saborosa…
Eu não diria que extraí tudo que posso extrair da poesia, mas, com certeza, cada vez que eu me debruço sobre um poema, eu me torno um pouco melhor, eu me aprimoro um pouco mais. Porque a minha forma de construir os meus parágrafos e frases muda, sempre. O jeito como leio e como entendo que podem se tornar melhores, de acordo com sua finalidade, sempre muda um pouco mais.
Acho que uma das lições mais interessantes que absorvi da poesia foi quanto ao tema e o quanto a forma e o tema podem se comunicar para criar uma atmosfera mais propícia para a mensagem. Ou seja, quais palavras usar em conjunto para que, quando você ler, eu já esteja cozinhando uma emoção.
Claro, não há uma fórmula infalível. Mas notar a musicalidade das frases em um parágrafo pode mudar totalmente o jeito como um leitor entende e sente uma passagem. E só a poesia me ensinou isso.
Enfim, acho que eu terei outras postagens sobre poesia para debulhar mais motivos para se aventurar com elas.
Mas, eu vou me encerrar por aqui.
E aí, gosta de ler poesias? Gosta de escrevê-las?
Já aprendeu algo que nunca vai esquecer enquanto lendo ou escrevendo alguma?
Conta para mim (:

